terça-feira, 30 de junho de 2015

Conta cara.

E quando a conta chega?
Pior ainda, meus amigos, se os juros forem altos?
Em época de crise, nem se fala!
Curiosos e desavisados talvez estejam a perguntar-se de quais contas estamos falando. Não são aquelas do banco propriamente ditas, do “bendito” papel moeda, - que sempre me confunde, diga-se de passagem-. Antes fossem estas.
Estou falando de uma bem mais cara, que faz a pessoa, seja rica ou pobre, suar, e muito, para, com sorte, conseguir diminuir o prejuízo.
Só diminuir mesmo. Essa nunca se paga por completo.
Digo ao atento leitor que estou falando das consequências de nossas escolhas; e ai de quem não recorre à velha psicanálise para tentar fazer um acordo, pois nesse encargo, pelo bem, ou pelo mal, é impossível dar calote.
Essa mesma (a psicanálise), sem mais delongas, ainda te joga na cara que se endividou sozinho, achando que era “o rei do camarote” enquanto não vivia nem com salário mínimo.
Doce ilusão de um cartão de crédito sem limites...
Nem os muquiranas de plantão escapam desse fatídico destino.
Vale a pena a retomada dessa máxima, usada em outro contexto, mas perfeitamente aplicável. Certa vez, uma professora sábia me disse: “-Só depois de muito tempo vamos compreender o porquê de algumas escolhas”.
Psicanalista. Tinha de ser!
Os rebentos de nossas escolhas batem à porta e trazem uma conta mais do que inflacionada, com juros e correção monetária.
Se ainda não chegou, pior ainda, sua prole só tem aumentado, tenha certeza!

E a nós? Sem moratória, é arcar com os custos, centavo por centavo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Carta aberta ao deus do ano novo.

Vi várias pessoas com seus textículos bonitinhos que eu quis ter um também!
Não sei por que chega esta época e todos resolvem escrever –postar no face- coisas sobre o término de mais um ano e a alvorada do ano que se aproxima. Quase como faziam os nossos ancestrais em oferendas para os deuses, para acalmarem a sua fúria.
Se for por isto, 2014 foi um ano que passou irado! Sangue no “zói”, como se diz por aí!
Seja qual for a natureza desses deuses; incas, astecas, gregos, nórdicos, africanos, venuzianos, ou qualquer galáxia que for; seja qual for a natureza desse “sacrifício” ou “oferenda”, para ficar mais bonitinho, resolvi fazer um também, para –acalmar a ira do próximo ano- compartilhar com cada um de vocês, toda a sabedoria que adquiri durante esses 364 dias e algumas horas (e contando), ou só porque estava entediado e quis escrever alguma coisa mesmo. 
Depois de muito matutar sobre o que dizer, resolvi –para variar-, recorrer a sabedoria do Pequeno Príncipe para fazer algumas considerações.
Eis que nos diz: “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” (Antoine de Saint-Exupéry).
Pois é! Mesmo se saber, mesmo sem querer, alguns deixaram muito de si.
Foi um ano de intersecção entre o final da vida estudantil e início (ou quase início) de vida profissional. Também teve grande aprendizado na vida pessoal, indubitavelmente uma reflete na outra e vice-versa.
Aprendi muito com meus pacientes, com meus professores supervisores, com meus amigos, e aprendi muito comigo mesmo (claro, né, eu que vivi tudo o que se passou), mas, segundo a velha sabedoria popular “a maior sabedoria não é aquela que vem de fora, mas a que vem de nós mesmos.” Tudo depende do tempero que você vai usar pra fazer esse grande “mexidão” da vida!
Adentro só para falar sobre o que é esse magnífico prato. Sei que todo mundo aqui já comeu o bom e velho “mexidão”, talvez com outro nome, mas sua essência sempre foi e sempre vai ser a mesma. Pegar todas as sobras da geladeira, mexer tudo (daí o nome) e mandar pra dentro. Mas é uma arte fazê-lo, só depois de muita prática consegue fazer um bom “mexidão”, eu garanto!
Chega agora de dicas de culinária, voltemos ao texto.
Outro dia vi uma imagem que dizia para que “para a alma não ficar sedentária, deveríamos correr mais... riscos.”, se é assim, eu lhes digo, mete pimenta nessa sopa porque eu aguento! (Convivi com pimentas das Minas Gerais, meu nêgo, quem já provou sabe como é!).
Nunca achamos que estamos preparados até que as coisas aconteçam, não é absurdo, portanto, falar que o ano seguinte será melhor do que este que passou, porque hoje, somos melhores do que ontem e amanhã seremos melhores do que hoje, e no final do ano que vem, estarei dizendo que neste ano fui melhor do que o ano anterior.
A todos eu desejo apenas sabedoria para o ano que se chega rápido, rápido que nem uma locomotiva desgovernada.
E que ele nos atropele em cheio e extraia de nós todo o melhor que podemos dar. Ou que os deuses venham piores do que nunca, para que daqui um ano, possamos fazer uma “oferenda” tão boas quanto as que tenho visto.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Considerações sobre o tempo.

Cá estou, meus queridos, depois de um longo tempo, para falar justamente sobre isto, o tempo.
Não sei se preciso ou não justificar o afastamento da escrita; não sei nem se tem justificativa, talvez a falta de... tempo?! –risos- ou falta de vontade, apenas.
Quando enchemos a cara, precisamos tomar um café pra acordar novamente, e passei muito tempo tomando, literalmente falando, curando vários tipos de bebedeira.
Mas, sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Dia desses, enquanto conversava com uma até então professora minha, a mesma me fala algo somente digno da sabedoria dos psicanalistas: “[...] algumas coisas, só depois de muito tempo, a gente vai conseguir entender o porquê”.
Pequenas epifanias da vida!
Apesar de ser um tema um tanto quanto clichê; todo mundo já viu aqueles testículos, aqueles que falam da importância de não perder tempo e coisas do tipo, e por obvio que seja; a vida algumas vezes tem que nos dizer, de um modo, digamos assim, pouco delicado “TOMA ESSA VERDADE NA CARA!!!”. Portanto, sendo “ousado”, como diria meu amigo Léo, vou tentar dizer algumas coisas que matutei nessas idas e vindas.
Soa até engraçado, mas perdemos tanto tempo correndo atrás do tempo perdido, mas na verdade o tempo está com a gente o tempo todo.
Como as plantinhas precisam de tempo para darem frutas, as pessoas também precisam de tempo para darem suas frutas –sem pensamentos maliciosos-, porque, se colhermos as frutas imaturas, sua aparência, seu cheiro, seu gosto, sua qualidade, nunca vai ser a mesma. Agora, meu amigo, se deixar, e não colher, isso pode te dar uma dor de barriga de não se esquecer tão cedo.
Pensemos agora que o(a) leitor(a) está... pense em qualquer situação que quiserem, e por sabe-se lá o motivo, quebre os dois braços, para ser bem trágico. Ficará temporariamente impossibilitado de fazer várias coisas, não é?! Várias coisas, mesmo! E é preciso justamente tempo para que aquilo que está doente possa melhorar.
Aí vocês vão me dizer, “sabe de nada, inocente...” há situações em que não temos mais tempo.  E eu vou lhes dizer, vocês tem razão, algumas vezes, perdemos realmente tempo, acreditando, justamente, que sempre o teremos. É a nossa profunda ilusão de controle. E me perguntam novamente “o que fazemos com isto?”.
Vamos recorrer a Antoine de Saint-Exupéry e seu pequeno príncipe “De novo me senti gelado pela sensação do irreparável, e compreendi que não suportaria a ideia de nunca mais ouvir aquele riso. Para mim, era como uma fonte no deserto”.
Será que é irreparável? Talvez conseguimos forjar um tempo mínimo, e fazer diferente, fazer com que o tempo, por menor que seja, seja eterno para a gente. Sempre há tempo.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Procura-se amor passageiro

Isso é tudo recalque dos invejosos, e beijinho no ombro pra todos eles, como diria Grandiosa Anitta.
Enfadonho dia para alguns, data comemorativa para outros.
Não, meus amigos, não estou falando da abertura da Copa, texto para outra ocasião, estou falando sobre dia dos namorados, namoradas, ficantes, rolinhos, peguetes, e quaisquer nomes que lhes é dado atualmente.
Uma enxurrada de declarações como “alugo-me para o dia dos namorados”, ou “se o dia é dos namorados, a noite é dos solteiros”, foi com o que me deparei ao entrar no facebook (claro que sem contar qualquer tema relacionado à Copa).
Se formos pensar em o que faz com que as pessoas digam isso, provavelmente recairemos àquela velha história que circunda os homens e mulheres desde que o mundo é mundo; ou seja, encontrar aquela rapariga ou aquele rapagão a quem amar e que a(o) ingrata(o) corresponda. E talvez o medo de pensar que o amor nunca aconteça (que Deus livre a todos disso) promova frases desse tipo.
Mas aí vocês me perguntam, como é que o amor acontece? E eu lhes digo, não sei! E peço a quem souber, por favor, me ensine!
O que talvez faça com que seja tão incrível a vida e, a morte de qualquer matemático, é a improbabilidade das coisas, em que qualquer consequência possa surgir de qualquer evento, e isto, não se passa pela escolha de nós, simples mortais, talvez sejam apenas os deuses brincando de serem deuses, ou destino, ou karma, seja lá como quiserem chamar.
E no meio de tudo isto, está ele, o personagem de hoje deste texto, o amor. Ele que com toda a sua breguice que lhe é inerente, faz mover todas as pessoas todos os dias.
E mais, quem não se rende à breguice do amor, muito provavelmente, não bebeu da sua fonte, ou não sabe o que é ouvir “eu te amo” após -antes e durante também- aquela noite, ou manhã, ou tarde, que seja, de amor louco, molhado, soado, que te vira até de ponta-cabeça e do avesso.
Não sabem o que é fazer coisas que, até então, achavam que nunca fariam; ou mais simples, não sabem como é um mero passeio de mãos dadas, assistir –ou não assistir- a um filme juntos; ou mesmo ter a melhor companhia, até para não dizer nada, apenas, fazer-se presente. Talvez daí venha a ideia de se dar presentes, quando o que importa, é sê-lo apenas.
Tinha um professor que dizia que em um relacionamento deveria-se “manter um intercâmbio psíquico e físico”, mas os neandertais estão se animalizando cada vez mais, querendo apenas satisfazerem-se. Podem me chamar de brega, mas não há mais espaço para a conquista, ou mesmo que para depois do capitão caverna dar com o tacape na cabeça da pobre moça, e fazerem o que devem, não cabe mais conversar minimamente, e isto vale para ambos!
Talvez porque a proximidade se implique em intimidade que se implica em conhecer e vislumbrar as fragilidades alheias, daí vem a indisponibilidade de se relacionar.
É, meus caros, namorar não é só bate coxa, beijinho, benzinho, o nó é mais difícil de desenrolar do que gato quando brinca com novelo de lã.
Pois nesse tempo de amores tweets e pessoas práticas, talvez a complicação do amor não ache espaço para se instalar.

PS: Mas em meio a tudo isto, uma situação fugiu a regra e me deixou muito feliz! Foi quando preguntei à uma amiga, o que faria hoje na abertura da Copa, e me respondeu que mesmo tendo jogo, hoje era dia dos namorados, então a o dia era da dita cuja.


domingo, 25 de maio de 2014

Como se nasce um ídolo?

“O que é faz alguma coisa ser especial não é o lugar, mas o encontro que acontece, assim, qualquer coisa pode se tornar especial”.
Esta foi uma das primeiras falas de Xico Sá em um salão de ideias o qual tive a honra de estar presente.
Retomando a pergunta que dá título a este texto; não tenho a capacidade para esgotar todo o conteúdo que dela possa emergir, mas posso fazer algumas considerações a respeito de como Xico Sá, tornou-se um para mim.
Nossa história de hoje começa no não tão longínquo final de 2013, quando Juliana, professora à qual tenho grande admiração, compartilha no bendito (ou maldito, por vezes) facebook (nesta ocasião, bendito), um link de um texto que levava o instigante título de “Como usar eu te amo até na hora errada”, de um tal Xico Sá.
Já o tinha visto algumas vezes em programas de televisão, mas nunca me deparado com de fato quem era este fulano. Assim, pus-me a ler este, no mínimo, curioso texto.
Foi aí, neste exato momento, ou melhor, parafraseando-o, neste exato encontro, Xico Sá tornou-se especial para mim.
Não sei se pela natureza do conteúdo do texto que escrevera; ou se pela forma despreocupada e irreverente, mas ao mesmo tempo profunda que tratara tal temática; só sei que naquele momento, algo tocou dentro de mim, e não foi alma penada ou assombração, muito menos o dedo do proctologista.
Mais ou menos como naquele momento em que é criança e não entende nada de futebol, mas vê o amor devotado por seu avô à um time, e aquilo passa para você de uma tal forma, meio que como mitose, que logo também se vê apaixonado pelo mesmo time. Logicamente estamos falando do Corinthians.
Na semana seguinte já tinha camisa, e dava uns chutes no portão da minha avó, pobre dela ter que aguentar.
Apesar de meu avô ser outro ídolo para mim, voltemos ao personagem do texto.
Pois, na hora em que li aquele texto tão enredador, adentrei ao seu mundo e conheci vários novos conceitos, como “macho-jurubeba” e “macho-sensível”, “rolinho-primavera”, “carençolândia”, e outros que mudaram a minha vida.
Deste dia em diante passei a acompanhar mais de perto o seu trabalho e admirar a delicadeza e a perspicácia que só um bom malandro (no bom sentido da palavra) sabe levar a vida.
Agora, caros amigos, imaginem ter a oportunidade de ver quem admira pessoalmente, falando como uma pessoa comum, tratando com a maior simplicidade e simpatia tantas pessoas comuns que o admiram.
Pois, graças a Oxalá, Deus, Buda, o Destino, o Universo, ou seja lá o que for, tive a felicidade de conseguir tal proeza. E mais! Tirar fotos e ganhar até uma dedicatória no livro. Agora “chupa negada”, sou amigo do Xico Sá e vocês não!
Brincadeiras a parte, a admiração só aumentou ao presenciar uma ínfima parte do poço de histórias que é este homem ao vê-lo falar sobre mulheres, futebol, broxar, copa do mundo, autoritarismo, existência, Neymar e mais, da forma como apenas ele sabe tratar tudo isso.
E esta foi a história de como surgiu um dos meus ídolos, e olha que ele nem passou por aqueles programas de TV!

domingo, 18 de maio de 2014

Sobre demolidoras e pedreiros.

Mulheres que me desculpem, mas o que vocês fazem com os homens é desumano.
Os estragos que garbosas senhoritas são capazes de causar aos tolos rapazes não têm como serem mensurados.
Destroem tudo! Cabeça, pescoço, orgulho, carteira, coração, fígado, e até coisas indizíveis ao grande público. Muitos destes estragos são causados justamente por terem a ver com as coisas indizíveis ao grande público.
Com a sutileza de um trator, já começam a demolição no momento em que aparecem. Algumas têm uma magia interna que nos hipnotiza, ou como Paulo se pergunta no filme “Todas as mulheres do mundo”: “O que uns olhos têm que outros não têm? O que um sorriso tem que outros não têm?”. No momento que se vê aficionado por uma mulher, meu jovem, já era. A cabeça já foi “pro saco!”.
Em seguida, é um ato feio, admito, mas não há como não fazer, e em certo ponto, elas mesmas são as grandes culpadas por isto. Todo encanto que tem nos faz virar o pescocinho ao vê-la passar. É mais um que já era!
A parte mais difícil, a mais desastrosa, a mais embaraçosa e a mais assoladora a nós homens, é a hora de tentar a aproximação com a jovem (mesmo que “a jovem” seja mais velha, nestes casos é ainda pior). Pois já vi de tudo! De declarações de amor à primeira vista a cantadas das mais baratas que imaginar. Qualquer forma que seja; a verdade é uma só. Nenhum homem na face da Terra se sente totalmente seguro ao tentar se aproximar daquela donzela que te balança o coração!
- Acho que muitas ficam com pena de nós, por isto nos dão uma mísera chance de mostrar que não somos tão patetas como podemos aparentar!-
E agora me perguntam: “E se der certo, é só alegria?” E eu lhes digo: “NÃO!”.
Superada esta fase, chega a um ponto que dói demais, o bolso!
Homem que é homem de verdade acaba sucumbindo sempre às vontades das mulheres, e isto não se nega. Quando já está fisgado pelo anzol da “paixonite aguda”, homem topa tudo, vai aos lugares mais furados que ela propõe; viaja para poderem se ver; chama para encontros, hoje em dia tem gente que chama de “dar um rolezinho”, mas a ideia continua a mesma; e tudo isso, só para reencontrá-la.
E se lembram do “rolezinho”? Se depois rolar outro tipo de rolezinho, acabou de vez! A menina já te dobrou e guardou no bolso. Não está nem mais fisgado no anzol da “paixonite aguda”, já está é num aquário, porque está preso e não consegue nem ver as paredes que te limitam quando estão lá.
Mas mesmo que o pobre rapaz já esteja dizimado neste ponto, há algo o mantem lá, provavelmente a mesma coisa que te deixe com cara de besta ao simples fato de conversar com ela, e talvez apenas recorrendo à psicanálise para saber o que, mas que há, há! Até que sabe-se Deus como, as coisas começam a avacalhar, e se achava que já estava tudo acabado neste ponto, se enganou, sempre as coisas podem piorar.
Neste momento seu coração já está em pedaços e já foi todo pro lixo; já começou a beber pra esquecer e por isso desenvolveu uma cirrose hepática, seu fígado está empedrado, já perdeu um rim, já não faz a barba, não corta o cabelo, não toma banho, já está todo fodido na vida... Aí sim, se chegou nesse ponto, de fato o serviço está completo.
E tudo isso não é apenas uma vez, são várias, e pode ser várias até mesmo pela mesma pessoa. Se vir ao longe aquele avião passando novamente, e você tentar fazer um sinal de SOS, pode ter certeza, que ele vai é jogar bombas para não ter mais nada que possa salvar.

A catástrofe é inefável e inexorável, depois só nos resta buscar no meio dos destroços os poucos caquinhos do que restou do nosso orgulho. Até ser destruído novamente!

terça-feira, 13 de maio de 2014

No embalo que toca na alma.

Cazuza tem uma música que diz: “E ser artista no nosso convívio, pelo inferno e céu de todo dia, pra poesia que a gente nem vive, transformar o tédio em melodia”; não que eu esteja no tédio, até porque tenho muitas coisas para fazer, o que falta é vontade mesmo... Mas sempre há tempo –e necessidade– para uma pausa para a arte.
E o que seria de nós, pobres mortais, sem arte? Quem souber me diga, pois eu não tenho ideia da resposta!
Sem prolongar demais, o empurrãozinho para escrever hoje veio do ônibus. Calma, não literalmente! Vamos explicar com calma.
Creio que a maioria de vocês, leitores, deva saber que estudo em outra cidade (agora todos já sabem!), logo, para ir e voltar da faculdade utilizo um Mercedes ou Volvo, dependendo do dia, de trinta metros de comprimento, prata, com motorista particular... Também conhecido como ônibus. Até então, nada de mais, é a vida normal de muitos estudantes que estudam, ou frequentam aulas, ou nem isso, em cidades vizinhas.
Geralmente, as “pessoas” que valem-se deste meio de transporte vão dormindo, ouvindo música, lendo, ou conversando, o que também é perfeitamente normal. Mas hoje não. Hoje tinha um símio (por isto “pessoas” anteriormente), creio que tentando se comunicar, talvez?! Não sei... Com outro símio semelhante; e eu pensava comigo e perguntava para Deus, pelos céus, porque um “ser humano” urrava desta forma? Sem saber, comecei a hipotetizar.
Será que era um dialeto nativo que eu não conhecia? Ou será que ele estava passando mal e estava tentando pedir ajuda? Ou será ainda que era uma daquelas coisas que os animais utilizam para atrair fêmeas, como quem tem o pelo mais bonito, as plumas mais brilhantes, e no caso deles, quem urrava mais alto? Não sei! Novamente, se alguém souber a resposta, me diga!
O que eu sei, é que nesse desespero que eu me encontrava de não querer mais ouvir cada vez mais gritos desesperados em minha cabeça, lancei mão dos meus fones de ouvido e subi o volume do que tocava no meu celular. Mandei lá pras alturas!
E nessas alturas, minha cabeça também foi pras alturas! Só sei que entrei em uma brisa tão louca, que não vi mais ônibus, estrada, motorista e nem Neandertal urrando!
Acho que era a cafeína, preciso parar com isso!
E agora, como diria Raulzito, só fui curtir o meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém.
E nessa viagem me encontrei com os Beatles, e o John estava demais; Kurt com o nirvana, sensacional; e o Raul então? Tem nem o que falar. Altas ideias com ele, bicho!
Só sei que quase nem vi chegar ao meu destino, se bobeasse um segundo perdia o ponto. Como as pessoas que vão correndo atrás do ônibus, teria que voltar correndo atrás da minha casa.
E sabe o que é importante nesta falação toda? Não é que o rock é melhor que os outros gêneros musicais; me abstenho de tal afirmação. O que é importante é mostrar a mágica que a arte parece exercer –e exerce– em nossas vidas. Como somente ela consegue te levar a outros lugares e transformar quaisquer situações a ponto de deixá-las inesquecíveis.

O importante é a forma como toca o nosso interior, como se fosse a mão de Deus tocando a nossa alma e despertando sentimentos que nem imaginava que existissem, quanto mais que eu pudesse senti-los. Isto só em um gênero, agora imagine na infinidade de gêneros existentes por aí, e isto que é a beleza da vida. É a arte da vida.