terça-feira, 13 de maio de 2014

No embalo que toca na alma.

Cazuza tem uma música que diz: “E ser artista no nosso convívio, pelo inferno e céu de todo dia, pra poesia que a gente nem vive, transformar o tédio em melodia”; não que eu esteja no tédio, até porque tenho muitas coisas para fazer, o que falta é vontade mesmo... Mas sempre há tempo –e necessidade– para uma pausa para a arte.
E o que seria de nós, pobres mortais, sem arte? Quem souber me diga, pois eu não tenho ideia da resposta!
Sem prolongar demais, o empurrãozinho para escrever hoje veio do ônibus. Calma, não literalmente! Vamos explicar com calma.
Creio que a maioria de vocês, leitores, deva saber que estudo em outra cidade (agora todos já sabem!), logo, para ir e voltar da faculdade utilizo um Mercedes ou Volvo, dependendo do dia, de trinta metros de comprimento, prata, com motorista particular... Também conhecido como ônibus. Até então, nada de mais, é a vida normal de muitos estudantes que estudam, ou frequentam aulas, ou nem isso, em cidades vizinhas.
Geralmente, as “pessoas” que valem-se deste meio de transporte vão dormindo, ouvindo música, lendo, ou conversando, o que também é perfeitamente normal. Mas hoje não. Hoje tinha um símio (por isto “pessoas” anteriormente), creio que tentando se comunicar, talvez?! Não sei... Com outro símio semelhante; e eu pensava comigo e perguntava para Deus, pelos céus, porque um “ser humano” urrava desta forma? Sem saber, comecei a hipotetizar.
Será que era um dialeto nativo que eu não conhecia? Ou será que ele estava passando mal e estava tentando pedir ajuda? Ou será ainda que era uma daquelas coisas que os animais utilizam para atrair fêmeas, como quem tem o pelo mais bonito, as plumas mais brilhantes, e no caso deles, quem urrava mais alto? Não sei! Novamente, se alguém souber a resposta, me diga!
O que eu sei, é que nesse desespero que eu me encontrava de não querer mais ouvir cada vez mais gritos desesperados em minha cabeça, lancei mão dos meus fones de ouvido e subi o volume do que tocava no meu celular. Mandei lá pras alturas!
E nessas alturas, minha cabeça também foi pras alturas! Só sei que entrei em uma brisa tão louca, que não vi mais ônibus, estrada, motorista e nem Neandertal urrando!
Acho que era a cafeína, preciso parar com isso!
E agora, como diria Raulzito, só fui curtir o meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém.
E nessa viagem me encontrei com os Beatles, e o John estava demais; Kurt com o nirvana, sensacional; e o Raul então? Tem nem o que falar. Altas ideias com ele, bicho!
Só sei que quase nem vi chegar ao meu destino, se bobeasse um segundo perdia o ponto. Como as pessoas que vão correndo atrás do ônibus, teria que voltar correndo atrás da minha casa.
E sabe o que é importante nesta falação toda? Não é que o rock é melhor que os outros gêneros musicais; me abstenho de tal afirmação. O que é importante é mostrar a mágica que a arte parece exercer –e exerce– em nossas vidas. Como somente ela consegue te levar a outros lugares e transformar quaisquer situações a ponto de deixá-las inesquecíveis.

O importante é a forma como toca o nosso interior, como se fosse a mão de Deus tocando a nossa alma e despertando sentimentos que nem imaginava que existissem, quanto mais que eu pudesse senti-los. Isto só em um gênero, agora imagine na infinidade de gêneros existentes por aí, e isto que é a beleza da vida. É a arte da vida.

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