“O que é faz alguma coisa ser especial não é o lugar, mas o
encontro que acontece, assim, qualquer coisa pode se tornar especial”.
Esta foi uma das primeiras falas de Xico Sá em um salão de
ideias o qual tive a honra de estar presente.
Retomando a pergunta que dá título a este texto; não tenho a
capacidade para esgotar todo o conteúdo que dela possa emergir, mas posso fazer
algumas considerações a respeito de como Xico Sá, tornou-se um para mim.
Nossa história de hoje começa no não tão longínquo final de
2013, quando Juliana, professora à qual tenho grande admiração, compartilha no bendito
(ou maldito, por vezes) facebook (nesta ocasião, bendito), um link de um texto
que levava o instigante título de “Como usar eu te amo até na hora errada”, de
um tal Xico Sá.
Já o tinha visto algumas vezes em programas de televisão,
mas nunca me deparado com de fato quem era este fulano. Assim, pus-me a ler
este, no mínimo, curioso texto.
Foi aí, neste exato momento, ou melhor, parafraseando-o,
neste exato encontro, Xico Sá tornou-se especial para mim.
Não sei se pela natureza do conteúdo do texto que escrevera;
ou se pela forma despreocupada e irreverente, mas ao mesmo tempo profunda que
tratara tal temática; só sei que naquele momento, algo tocou dentro de mim, e
não foi alma penada ou assombração, muito menos o dedo do proctologista.
Mais ou menos como naquele momento em que é criança e não
entende nada de futebol, mas vê o amor devotado por seu avô à um time, e aquilo
passa para você de uma tal forma, meio que como mitose, que logo também se vê
apaixonado pelo mesmo time. Logicamente estamos falando do Corinthians.
Na semana seguinte já tinha camisa, e dava uns chutes no
portão da minha avó, pobre dela ter que aguentar.
Apesar de meu avô ser outro ídolo para mim, voltemos ao
personagem do texto.
Pois, na hora em que li aquele texto tão enredador, adentrei
ao seu mundo e conheci vários novos conceitos, como “macho-jurubeba” e “macho-sensível”,
“rolinho-primavera”, “carençolândia”, e outros que mudaram a minha vida.
Deste dia em diante passei a acompanhar mais de perto o seu
trabalho e admirar a delicadeza e a perspicácia que só um bom malandro (no bom
sentido da palavra) sabe levar a vida.
Agora, caros amigos, imaginem ter a oportunidade de ver quem
admira pessoalmente, falando como uma pessoa comum, tratando com a maior
simplicidade e simpatia tantas pessoas comuns que o admiram.
Pois, graças a Oxalá, Deus, Buda, o Destino, o Universo, ou
seja lá o que for, tive a felicidade de conseguir tal proeza. E mais! Tirar
fotos e ganhar até uma dedicatória no livro. Agora “chupa negada”, sou amigo do
Xico Sá e vocês não!
Brincadeiras a parte, a admiração só aumentou ao presenciar
uma ínfima parte do poço de histórias que é este homem ao vê-lo falar sobre
mulheres, futebol, broxar, copa do mundo, autoritarismo, existência, Neymar e mais,
da forma como apenas ele sabe tratar tudo isso.
E esta foi a história de como surgiu um dos meus
ídolos, e olha que ele nem passou por aqueles programas de TV!

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