quinta-feira, 12 de junho de 2014

Procura-se amor passageiro

Isso é tudo recalque dos invejosos, e beijinho no ombro pra todos eles, como diria Grandiosa Anitta.
Enfadonho dia para alguns, data comemorativa para outros.
Não, meus amigos, não estou falando da abertura da Copa, texto para outra ocasião, estou falando sobre dia dos namorados, namoradas, ficantes, rolinhos, peguetes, e quaisquer nomes que lhes é dado atualmente.
Uma enxurrada de declarações como “alugo-me para o dia dos namorados”, ou “se o dia é dos namorados, a noite é dos solteiros”, foi com o que me deparei ao entrar no facebook (claro que sem contar qualquer tema relacionado à Copa).
Se formos pensar em o que faz com que as pessoas digam isso, provavelmente recairemos àquela velha história que circunda os homens e mulheres desde que o mundo é mundo; ou seja, encontrar aquela rapariga ou aquele rapagão a quem amar e que a(o) ingrata(o) corresponda. E talvez o medo de pensar que o amor nunca aconteça (que Deus livre a todos disso) promova frases desse tipo.
Mas aí vocês me perguntam, como é que o amor acontece? E eu lhes digo, não sei! E peço a quem souber, por favor, me ensine!
O que talvez faça com que seja tão incrível a vida e, a morte de qualquer matemático, é a improbabilidade das coisas, em que qualquer consequência possa surgir de qualquer evento, e isto, não se passa pela escolha de nós, simples mortais, talvez sejam apenas os deuses brincando de serem deuses, ou destino, ou karma, seja lá como quiserem chamar.
E no meio de tudo isto, está ele, o personagem de hoje deste texto, o amor. Ele que com toda a sua breguice que lhe é inerente, faz mover todas as pessoas todos os dias.
E mais, quem não se rende à breguice do amor, muito provavelmente, não bebeu da sua fonte, ou não sabe o que é ouvir “eu te amo” após -antes e durante também- aquela noite, ou manhã, ou tarde, que seja, de amor louco, molhado, soado, que te vira até de ponta-cabeça e do avesso.
Não sabem o que é fazer coisas que, até então, achavam que nunca fariam; ou mais simples, não sabem como é um mero passeio de mãos dadas, assistir –ou não assistir- a um filme juntos; ou mesmo ter a melhor companhia, até para não dizer nada, apenas, fazer-se presente. Talvez daí venha a ideia de se dar presentes, quando o que importa, é sê-lo apenas.
Tinha um professor que dizia que em um relacionamento deveria-se “manter um intercâmbio psíquico e físico”, mas os neandertais estão se animalizando cada vez mais, querendo apenas satisfazerem-se. Podem me chamar de brega, mas não há mais espaço para a conquista, ou mesmo que para depois do capitão caverna dar com o tacape na cabeça da pobre moça, e fazerem o que devem, não cabe mais conversar minimamente, e isto vale para ambos!
Talvez porque a proximidade se implique em intimidade que se implica em conhecer e vislumbrar as fragilidades alheias, daí vem a indisponibilidade de se relacionar.
É, meus caros, namorar não é só bate coxa, beijinho, benzinho, o nó é mais difícil de desenrolar do que gato quando brinca com novelo de lã.
Pois nesse tempo de amores tweets e pessoas práticas, talvez a complicação do amor não ache espaço para se instalar.

PS: Mas em meio a tudo isto, uma situação fugiu a regra e me deixou muito feliz! Foi quando preguntei à uma amiga, o que faria hoje na abertura da Copa, e me respondeu que mesmo tendo jogo, hoje era dia dos namorados, então a o dia era da dita cuja.