Pois bem, cá estou novamente, por ter gostado de me
embrenhar cada vez mais no jardim de possibilidades que é escrever.
Tão verdade quanto dois e dois é vinte e dois; que o céu é
azul (exceto aos entardeceres onde o laranja domina, pelo menos por alguns
minutos, e é a coisa mais linda de se ver); a eu poder afirmar que o curingão é
o maior time do mundo; e quanto a qualquer dito popular que trás em si toda a
sabedoria da humanidade...
Escrever é um daqueles jardins com pedrinhas coloridas,
“castelinhos” como dizemos por aqui; anão de jardim, que não pode faltar;
insetos que vem e ficam picando, depois a gente fica com aquela pereba
gigantesca; formigas subindo nas suas pernas; minhocas; besouros e abelhas que
ficam voando... Não as minhocas, só os dois últimos. Pode ter um banquinho para
sentar (sobre isto quero falar) e se bobear tem até uma fonte de um anjinho
fazendo xixi – acho demais aquilo! – e também não vamos esquecer-nos das
flores, o principal.
Pode a princípio parecer um jardim normal, e concordo com
isto, mas, vamos combinar que tal como tudo na vida, quando nos dispomos a um
olhar mais atento, podemos ver em suas minúcias suas maiores particularidades.
É lindo, suas flores são de diversas formas, diversos tipos,
espécies... Seus dizeres podem ser contos, podem ser crônicas, podem ser fábulas;
dissertações, narrações... em primeira ou terceira pessoa, em primeira e
terceira pessoa... (prefiro coisas à duas pessoas, sozinho ou em grupo nunca
foi muito a minha praia...).
São coloridos também. Podem ter um azul cheio de vida; um
verde refrescantes, rejuvenescente; um amarelo dinâmico ou então como um dos
meus preferidos, um vermelho da paixão, quente! Dureza mesmo é quando, o vermelho da paixão vira
um vermelho fúnebre, aí o bicho pega...
E os cheiros...? Creio que possa ser tão doce, envolvente e
excitante quanto a flor que você, meu jovem, deu para aquela jovem donzela quando
estavam juntos, seja para conquistá-la, ou para conquistar não à ela, mas seus
domínios (seu conquistador barato).
Não há como esquecer...
Por falar em cheiros, meus caros, não acharam que tudo
fossem flores, não é?! Claro, tem também as folhas, os castelinhos, o anão de
jardim, as formigas, minhocas, besouros, abelhas, o banquinho e a fonte do anjinho...
Mas não é disso que vou falar... Vocês sabem o que é necessário para se
cultivar qualquer planta que seja?
Para os desavisados de plantão, sem todo aquele “frufru” da
atualidade de conversar com as plantas, são necessários, terra, água, a semente
ou a muda do que se quer plantar e adubo. Pois é, para que haja flores também é
necessário ter muita merda! Mas não é qualquer merda, tem que ser uma merda da
boa, se não, não resolve nada!
Moral da história: Vamos nos ater a sabedoria dos ditos
populares, pois quer verdade maior do que dizer que é de fazendo merda que se
aduba a vida? Além de um grande aprendizado, gera ainda boas histórias para
contar, ou escrever.
Mas agora, sem mais delongas vamos a o que interessa...
Como diria o grande Ned Stark “- O inverno está chegando...”
e já há algum tempo queria escrever sobre isto, mas não tinha encontrado a motivação
necessária. Até agora!
O
que me motiva a escrever sobre isto foi quando ontem pela manhã – lê-se BEM de
manhã – iria à casa da minha mãe tomar um café, oportunidade rara, mas por isto
topei enfrentar o frio que fazia cedo e fui de moto enfrentar a longínqua e
gélida jornada (acho que a maioria de vocês sabe que sou motoqueiro, mas isto é
história para outro dia); até que há alguns quarteirões de casa há outra
vivenda com um jardim na frente. Em certo ponto até bastante parecido com o
descrito anteriormente, inclusive pelo banquinho, e é aí que toda a ação
acontece.
Neste
banquinho estavam sentados juntos, um casal de idosos, ambos cobertos por um
único cobertor, e isto me chamou a atenção como não é habitual.
Me
digam, conseguem imaginar cena mais romântica do que esta? Pois eu não! E
comecei a pensar sobre qual era a mágica que tinha aquele cobertor que os
deixou unidos por provavelmente muito tempo? Quais os segredos que ele (o
cobertor) guardava sobre aquele casal e que muito possível passaram a maioria
dos invernos de sua vida juntos (livre de detalhes sórdidos, ok?!)?
E
neste movimento de imaginar tantas coisas a respeito daquele amor, como se diz
por aí “envelhecido em barris de carvalho, tais como os vinhos que ficam
melhores e mais valiosos com o passar dos anos”; senti admiração, senti inveja
e senti gratidão.
Fiquei
nesta salada de sentimentos por devanear como fora possível um amor durar tanto
tempo, e pensar o que é possível fazer para isto; questionava-me se um dia isto
também aconteceria comigo, se teria, quem sabe, esta sorte de um dia de inverno
poder me sentar ao lado da minha velha, cobertos por um cobertor com tantas
histórias e ver o jardim da minha casa; e acima de tudo, fiquei grato por poder
admirar tal cena, por esta ter causado todo este movimento dentro de mim e por
poder compartilhar estes sentimentos com quem se dispor a ler este texto.
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