domingo, 4 de maio de 2014

A minha vida de máquina de refrigerante.

Influenciado a escrever por Laura, colega de minha futura profissão (assim espero), que me disse: “- o que talvez não possa ser atingido de maneira racional, talvez possa através da arte.” e a deixa: “- escreva sobre!”.
Claro, longe da pretensão de achar que algumas linhas que eu escreva sejam tomadas como uma obra de arte; tenho para mim que qualquer forma de expressão de ideias ou sentimentos inerentes ao ser humano, deva ser visto como arte, devemos apenas limpar a lente pelo qual os nossos olhos as percebem.
Créditos pelo título, também à minha professora, que talvez de forma tão simples, mas tão genial, conseguira demonstrar o como podemos nos sentir em alguns momentos, em que cada momento “temos que apertar um botão para sair algo diferente”.
Agora, a final, por que “a minha vida de máquina de refrigerante”? Para os bem afortunados que não sabem, talvez uma breve explicação possa ajudar na tentativa de compreensão do quão complicada é a vida de um estudante de psicologia.
Para tentar simplificar, dentro da psicologia existem várias, inúmeras, incontáveis linhas teóricas (formas de olhar o homem, de sua constituição aos seus mais profundos aspectos da personalidade), são cognitivistas, comportamentalistas, humanistas, existencialistas, construtivistas, psicanalistas (estes então multipliquem por dez tais leituras)... enfim, acho que já deu para perceber que de fato são várias.
E neste momento é que a “giripoca pia”, pois dentro da formação de psicólogo vemos boa parte destas teorias, certamente que algumas (quase todas) de maneira muito superficial; e, apesar de algumas vezes confundirmos algumas, misturarmos outras, mas passamos a ter uma noção de o que se trata, e neste meio tempo, criamos maior afeição por algumas e repulsamos outras.
Sei que não é da mesma forma em todos os locais, mas quando chegamos a um certo ponto, em que acreditam que estamos “maduros” ou que já conhecemos o bastante, inevitavelmente no último ano, nos colocam para atender os pacientes em diversas abordagens distintas, e se antes o negócio já era feio, avacalha de vez!
Como disse, passamos a gostar mais de algumas do que de outras, concordar ou discordar completamente de outras e neste momento nos vemos obrigados a fazer, a atuar de determinada maneira, algumas de bom grado e por vontade, outras completamente forçados.
Sabe, meus caros, eu reforço o coro de que devemos nos propor a experimentar, experienciar algumas coisas, porque podemos os surpreender - sempre podemos! – mas, por outro lado, criamos um ranço tão grande sobre algo que quando tentamos fazer, por mais que tentemos fazer corretamente e bem feito, nunca sai como algo que temos tesão em fazer, e isto passa ao paciente.
Passa tanto, como quando nos forçamos a ficar com alguém em uma balada só porque seus amigos te encheram o saco para isto. Passa tanto como quando não queremos comer aquela salada de ovo com chuchu e maionese que sua tia fez, mas se vê obrigado a comer só para a mesma não ficar chateada.
Desta eu já me livrei, não como ovo!
Passa tanto quanto não gostar do seu chefe, mas ter que trata-lo “bem” pois ele paga o seu salário. Passa tanto quanto sei lá, imaginem qualquer coisa que devam fazer, mas não gostam ou não querem fazer, mas por pressões alheias a vocês acabam fazendo.
Pensando bem, acho que desta forma é a vida!
Lembram-se das pessoas que disse anteriormente que eram bem afortunadas por não saberem o que é isto? Acho que me enganei, acho que a grande maioria de nós sabe o que é ser obrigado, pressionado a fazer coisas que não gosta, experimentar, mas não querer.
E claro, eu sei que, muitas vezes, mudamos de papel também, não vamos ser hipócritas, caros amigos. Passamos de vitimizados para vitimizadores em um piscar de olhos, estalar de dedos, bater de asas... enfim; e vocês sabem que é verdade. Quantas e quantas vezes não forçamos alguém também a fazer o que não querem ou não gostam também contra a sua vontade?
Agora, a pergunta de um milhão de dólares, que não quer se calar, que não tem resposta... não, não é quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, ou se mulheres de fato tem um “ponto G”, ou se a paz mundial é possível, não é nenhuma destas, infelizmente. A pergunta é, em quais momentos sabemos se será bom ou não fazer ou forçar alguém a fazer algo que não se quer ou não gosta e quais as consequências ocorrerão disto? Não sei, e acho que não há como saber até estarmos neste lugar. Vamos todos ser grandes máquinas de refrigerante.

(Creio que grande parte deste texto deva ser creditado à Laura, citada no início, com sua visão bastante pertinente e que tanto tem iluminado e fazendo rever velhas ideias preconcebidas de um jovem estudante de psicologia).

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